Credity History e o efeito Tostines

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Hoje teremos uma nova republicação de um texto do Brasileiras pelo Mundo, que fala sobre a “saga” do credit history. O texto foi publicado originalmente em 09 de setembro de 2013, e o link para o texto original você encontra aqui

Até a próxima!

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Todos sabemos que os Estados Unidos são o país do consumo. Para a maioria dos brasileiros que passam as férias por aqui, é quase como o paraíso na terra, onde se compra de tudo a preços muito mais baixos do que no Brasil.

Nos feriados, o brasileiro viaja. Em São Paulo, não importa se está frio ou chovendo, chega um feriado e lá vai o paulistano enfrentar horas de estrada para aproveitar uns dias na praia ou no campo. Aqui nos EUA eu tenho a impressão de que, nos feriados, os americanos vão às compras.  Sempre tem um sale (liquidação) em todo feriado. Temos o Memorial Day Sale, o Labour Day Sale, o Christmas Sale, o Summer Sale e o famoso Black Friday Sale, na sexta feira do feriado de Ação de Graças e muitos outros. É sale que não acaba nunca!

Então quando você decide que irá se mudar para os EUA, logo fica se imaginando mergulhando de cabeça nas prateleiras da Macy’s e da Target, comprando tudo mais barato para sua casa nova. Mas você esbarra em um problema que muitos desconhecem até se mudarem para estas bandas – a saga do Credit History.

Todo mundo aqui nos EUA tem um credit score e um credit history. Basicamente atribui-se um valor que identifica o consumidor como sendo excelente, bom ou mau pagador. Quanto melhor seu credit score, melhores serão as taxas que você consegue ao financiar sua casa, por exemplo, e maior será o seu limite no cartão de crédito (dependendo de sua renda, é claro!).

Como um novo morador nos EUA você obviamente não tem nenhum credit history, afinal você acabou de chegar e a única coisa que você quer é abrir a conta no banco, receber seu cartão de crédito em casa e sair gastando suas “doletas”. Você pensa que não terá problemas nesta área, afinal você tem emprego e renda para comprovar. Oh, triste ilusão!

Quando mudamos para NY, abrimos uma conta no Citibank. Já tínhamos conta no mesmo banco em outros lugares e tudo sempre foi muito fácil. Mas aqui não foi assim. Primeiro o banco não queria me adicionar à conta conjunta. Tinha um visto L2 e estava aguardando minha permissão de trabalho sair para poder aplicar para o famoso Social Security (SS). Você precisa de um SS quando arrumar emprego e quando você aplica para um cartão de crédito (mais informações no site do  Social Security). Mas a minha impressão é que neste país você só passa a existir depois que tirar o tal do SS.  Tenho Social Security, logo, existo!

Então depois de algum debate com o banco, acabei sendo incluída na conta e consegui receber um talão de cheques e um cartão de débito. O cartão de débito já ajuda, e muito. Porém, sempre existe um risco maior em se deixar dinheiro na conta corrente. No meu caso, um belo dia descobri que os dados do meu cartão haviam sido roubados quando tirei meu extrato e vi um pagamento para o site de relacionamento match.com e um saque de US$ 1.500! Se você usar um cartão de crédito você tem garantias/seguros, mas no caso do cartão de débito o dinheiro já saiu da sua conta e você tem que explicar para Deus e o mundo que você não foi responsável por aquelas transações para reaver o dinheiro.

Bem, nosso passo seguinte foi solicitar ao banco um cartão de crédito. A novela mexicana começou. Como não tínhamos o tal do famigerado credit history, o banco não queria fornecer o cartão. Sabe o efeito Tostines, aquele do slogan do biscoito? Você não tem cartão de crédito por que não tem credit history ou não tem credit history por que não tem cartão de crédito??????

Para ajudar, as linhas de crédito nos EUA ficaram mais difíceis de serem conseguidas desde a crise financeira de 2008, afinal tudo começou porque os bancos concederam linhas de crédito hipotecárias (mortgages) para clientes de alto risco, chamados de clientes “ninja” (no income, no job, no assets: sem renda, sem emprego, sem patrimônio), e sabemos no que isso resultou.

Bem, a solução encontrada foi um cartão de crédito secured ou bonded. Você deposita um valor – em nosso caso foram US$ 5.000 – em uma conta que você não poderá usar, e o banco emite um cartão com o mesmo limite.  Até mesmo o cartão de crédito Corporate do meu marido tinha um limite bem baixo, complicando bem a nossa vida.

No meu caso, uma desperate housewife sem emprego, a situação era ainda pior. Apliquei para dois cartões e fui rejeitada. O problema ainda é que, cada vez que você é rejeitada, a informação entra para o tal do credit history. Não dá pra apagar do seu passado!

A solução que encontrei foi aplicar para um cartão bem popular, para quem tem problemas de crédito. Escolhi um na internet (no caso foi o Capital One), apliquei e, para minha surpresa, CONSEGUI! Sim, consegui um cartão de crédito (detalhe, também secured) com um limite de US$350!!!!!!!!!! Sim, exorbitantes Trezentos e Cinquenta Dólares !!!!! Nem quando era universitária no Brasil e não trabalhava tive um limite tão baixo!

O jeito foi usar o cartão todo mês para pequenas compras. As dicas que recebi foram que você nunca deve usar todo o seu limite de crédito, deve sempre pagar em dia, e preferencialmente pagar toda a sua fatura antes do vencimento.

Após alguns meses como este limite exorbitante, eu apliquei para um cartão na Bloomingdale’s. Cartões das lojas de departamentos são uns dos mais fáceis de se conseguir, então também é um bom início. Consegui com um limite bem baixo, mas ao menos já tinha outro item no meu  credit history.

Mas não pense que ter muitos cartões é melhor. As empresas que lidam com o credit history levam em consideração quantos cartões que você tem e também há quanto tempo você os tem.

Outro dica para construir seu credit history é financiar seu carro. Muitas das revendas de veículos vendem até mesmo se você estiver com seu nome mais sujo do que pau de galinheiro. O risco deles é maior, assim como a taxa de juros que cobram. Mas você pode quitar a dívida nos primeiros meses e isto vai entrar para o seu credit history de forma positiva.

Nos primeiros meses eu não me contive e apliquei para outro cartão, e fui rejeitada novamente. Só me restou me contentar com meus US$ 350 de limite por uns meses. E nem acreditei quando, alguns meses depois, apliquei para um cartão do Chase e recebi o dito cujo em casa, com um limite bem mais gordinho!!!

Hoje, depois de 2 anos morando aqui, a história é outra. Nossa vida está estabelecida e toda semana recebo de 3 a 4 propostas pré-aprovadas de cartões de crédito pelo correio. Mas leva-se um tempo para se construir um credit history e o início pode ser bem difícil!

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